Os estudos culturais emergem na Geografia
contemporânea em virtude da necessidade de entender a complexidade
do espaço geográfico como conteúdo e forma
das diferentes qualidades dos grupos humanos que o habitam. Essa
complexidade apresenta-se na produção do espaço
como produção da vida, envolvendo as contradições
e conflitos entre culturas tradicionais e elementos novos contidos
na transnacionalização do capital e dos parâmetros
de comportamentos, práticas e existências novas que
ele carrega consigo. Além disso, os movimentos migratórios
e as influências dos mecanismos de comunicação
vão interferir na construção das relações
humanas e da produção dos espaços de representação
das populações locais, assim como a percepção
sobre o mundo que os rodeiam.
Torna-se necessário envolver-se
com a diversidade espacial produzida pelo processo mencionado,
assim como entender as diferentes escalas de análise que
ele contém. Os processos territoriais apresentam-se vinculados
ao dinamismo das trocas simbólicas, do comércio
e das informações transmitidas a longas distâncias,
assim como ainda impregnados de imaginações locais
autênticas e formas culturais tradicionais. O processo é
dialético, mas implica realizações que se
transformam e se perpetuam em diferentes escalas espaço-temporais.
Isso configura, desconfigura e reconfigura territórios,
regiões e paisagens diversas, explicadas pela mutação
das relações existentes entre atores sociais, materialidade
produzida e campos simbólicos e representativos que os
cercam.
O encontro entre diferentes pesquisadores possibilita
a discussão sobre a abordagem geográfica na perspectiva
dessas relações culturais, contribuindo com a troca
de experiências e de discussões que vão expandir
o referencial teórico e a melhoria das ações
práticas relacionadas a projetos de gestão e ensino
de Geografia em escala nacional.
Torna-se também importante incentivar
o estudo sobre a Geografia Amazônica na perspectivas das
culturas que se territorializam e se desterritorializam, assim
como suas articulações com os projetos desenvolvidos
em outras regiões do Brasil. A análise geográfica
sobre as culturas amazônicas e o dinamismo dos processos
que as envolvem, torna-se crucial para entender muito dos problemas
e buscar soluções para o Estado e para a região.
Neste sentido, o I Seminário de Geografia
e Cultura tem como objetivo discutir teorias e práticas
de ensino e de pesquisa que envolvem a abordagem cultural na Geografia
relacionando os trabalhos produzidos em âmbito nacional
e regional do contexto Amazônico.
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